Eu já desanimei várias vezes...Tive vontade de sair correndo, de ir e não voltar mais, de simplesmente sumir. É sofrido ver a limitação, a fragilidade do outro. É complicado lidar com as carências, com auto colocar-se em segundo, terceiro plano. Há o medo da relação nunca mais se a mesma, da fase triste não acabar. Sem mencionar o cansaço, o desconforto, o acampamento, a falta de casa, das coisas. Do silêncio, da cama, da calmaria, do abraço, do beijo, do carinho, do toque.
Seriam todos motivos pra desistir. Mas mesmo sentindo-os repetidas vezes, eu me mantenho ali. Fixa, irredutível. É meu papel, é o que eu acho certo, é o que queria que também fizessem por mim. É o que me parece óbvio: aonde mais eu estaria.
Nunca fiz isso por alguém, nem por mim mesma. E é difícil lidar com toda essa mistura de sentimentos. Acho que tenho me saído bem até. Ás vezes gostaria de escutar um elogio, ganhar um carinho, um sorriso mais amistoso.
Antes eu não entendia as mulheres/homens que abandonavam, pulavam fora de um relacionamento com uma pessoa doente. Hoje eu entendo: é preciso de muita força, muito amor, muita amizade, paciência e um tanto de auto-sonegação. Sonegação sim: de estar em primeiro plano, tanto para si mesmo quanto no relacionamento. Na verdade o relacionamento, nesta etapa, só passa por uma fase: ou se fortifica ou enfraquece e mingua de vez.
É preciso confiar no outro para ser capaz de demonstrar as maiores fragilidades do nosso ser, rompendo regras de etiqueta, de conduta, de bons modos, convenções e por ai vai. E muita paciência pra aguentar os dias de desânimo, de irritação, de grosseria. Abstração. Concentrar-se no que realmente vale a pena. Abdicar de momentos, de eventos, de comemorações.
Mas vale a pena quando se recebe uma ligação, apenas pra contar o que o médico informou. Ou um sms contando uma novidade que trouxe alegria. Ou o sorriso na chegada. As conversas sem pressa, cheias de planos. As brincadeiras. Observar o teu sono tranquilo, sem dor.
E eu acho que és uma pessoa que vale a pena. Que traz muitas coisas boas para a minha vida, para o meu jeito de ser. Sou uma pessoa bem mais calma, tranquila e paciente. Sou mais feliz e alegre também. Tenho alguém com quem conversar sobre todos os assuntos, que como eu não tenta somente agradar, ser simpático. Parceria.
E as pessoas que vieram no "pacote" são muito bacanas. Teus pais são muito queridos comigo, teus irmãos também, fazem eu me sentir parte do todo, mesmo ainda achando estranho isso. A Carol e o Le, a Le e o Seco, a Dani e o Rafa, a Aline e o Gordo, que dizer desse povo tão querido que eu gosto tanto? Que achei que não ia me dar bem, não iria me enturmar ou gostar e agora sinto uma amizade forte e verdadeira por eles. O Jimmi, a Lassie, o Pumba e o Charlie. O Rafinha!
A situação é complicada, dificil, mas eu faria tudo de novo, mil vezes, quantas vezes forem preciso.Por mais que pintem dúvidas, acho que a certeza de querer estar do teu lado, por muito tempo, é maior. Porque você é quem toca a minha alma e meu corpo de forma intensa, pura, proporcionando muitos sentimentos e sensações inexplicáveis.
Ta aí: não consigo definir bem, achar o termo correto, porque o sentimento é assim: inexplicável.